Dias antes. Várias pessoas te contam notícias, estatísticas e dados que você nem absorve. Parece que você é um astronauta pronto para chegar à lua e a tripulação à sua volta trabalha a mil por hora.
Véspera. Foi uma véspera muito boa... se eu tivesse ficado em casa eu teria ficado pensativo, sonhador, tentando adivinhar o que o dia seguinte guardava, ansioso, nervoso. Ao invés disso, estive com restritos amigos, longe de tudo, perto de nada. Dia engraçado e produtivo, poucos são assim.
É hoje. Estamos todos no hotel só esperando dar 15:30, horário que custava a chegar. No caminho, quietos, mas aposto que na mente de cada um ecoava alguns gigawatts de potência de amplificadores de guitarra. Chegando perto, vendo os milhares de carros e ônibus, aquilo fez estremecer. Parecia religioso. E era né? Afinal, aquilo era um templo, e os deuses do rock se apresentariam ali. Ao chegar na porta, hesitação ao entrar e entregar logo o ingresso. Por que não tentar ver um pouco mais de perto? Foi o que pensamos. Era arriscado, sim, mas era só manter tudo sobre controle. Foi o que fizemos. Areia, cactus e o vento soprando gelado como o ártico. Parecia Albuquerque, aliás essa comparação não foi minha, mas gostei tanto que peguei emprestada. O barulho ensurdecedor nos fazia um desfavor quando precisamos nos manter todos juntos e não pudemos. Mas no fim deu tudo certo. Passada toda aquela aventura, eu voltei a gostar do barulho ensurdecedor. Era hora do primeiro show, aquele que começaria o 'three in a row'. Para mim foi como em um jogo de boliche; cada show era um strike e ia valendo mais que o anterior. Não sou do metal, quem me conhece sabe disso. Mas tenho que aplaudir de pé o Avenged Sevenfold. E ter um guitarrista destro e outro canhoto na banda ajuda muito na foto, fato. Incubus, não preciso nem falar, escolheram bem a set list, executaram bem, e eu tava num lugar bom pra curtir o show. Quando chegou a vez do Queens Of The Stone Age, eu não esperava que ao final teria sido tão bom. Foi o show que cantei mais músicas, apesar da dor de cabeça e fome deixarem isso meio desconfortante. Ah, a gorganta já tinha ido pro saco numa hora dessas. Eles só não tocaram Make It Wit Chu, mas valeu por todas as outras. Puta que pariu, californianos nasceram pra fazer música, isso é inegável. De volta ao nosso 'point' conversei mais um pouco, consegui comer (muito obrigado pelas passatempo haha) e enfim era hora do mais aguardado da noite: Linkin Park. Eles tocaram muita coisa nova, e isso fez o show ficar parado em algumas partes. Mas nos hits antigos todos cantaram, dava pra sentir e ouvir. Talvez só não tenham pulado tanto pois as pernas já não obedeciam mais ao corpo, e sim a um frio de 8ºC e cansaço de 6 ou 7 horas de festival (mais ainda para quem estava desde o começo). Mas ficou marcado, isso eles podem ter certeza. A luz azul do palco, as imagens do telão de background, e os sons futurísticos foi o que diferenciou o show de 2004 deste. Caramba, hoje eles fazem um espetáculo, antes apenas um concerto.
A volta foi difícil, não conseguia mais me mexer direito, liguei o automático para voltar até a van. Dormi na van, tomei banho logo ao entrar no quarto do hotel, e já capotei. De manha tomei um café de dinossauro. Era o cansaço. Durante toda a manhã conversamos sobre o show e outras coisas também. Saimos do hotel, dormi no carro. Dormi a tarde inteira também quando cheguei em casa. E acredite, dormi de noite também. Agora que já me recuperei do baque, da euforia, do cansaço e tudo mais, posto isso aqui.
Lembrei que não vi todo mundo que gostaria de ter encontrado no festival, acho que devido àquela 'desventura' já mencionada.
Quero agradecer a todos os meus amigos que fizeram parte deste feriado incrível, já estão no 'para sempre' da minha memória.
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